dias de sol

sol

.

amanhã será outro dia

e ainda assim esse dia não vai partir

permanecerá entre fronhas e presságios

.

mas a vida não vai te abandonar

nem te permitir morrer de dor ou tédio

persistirá latente 

.

e em pouco te atropelará 

os momentos de luto serão suspensos

tomados de assalto por contas e caos

.

o alerta será vermelho o tempo curto

a urgência de inúmeras coisas 

trará de volta o intenso tráfego do dia-a-dia

.

as noites serão longas e iguais

durante um tempo sem tempo

montanhas de dúvidas e cavalos de batalha

.

mas aquele dia que você acreditou jamais esquecer

aos poucos irá desbotando

ao contato com raios de sol e vaga esperança

ponta-cabeça

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naqueles dias

em que você chega

estranha tudo

repara no quadro torto

no tapete sujo

.

é bom voltar

tentar de novo

às vezes foi um jeito

no pescoço

e tudo ficou avesso

.

esfregue os olhos

dê três pulinhos

pode ser que tudo volte

a ser …. como dizer

trivial?

mais

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(tumblr_indissoluvel_julliett1)

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volto pra casa

sem querer

penso numa viagem

no sol que se põe

do outro lado do mundo

vontade de ir lá pra ver

aqui não tem graça

ou tem mas esse jeito inquieto

de estar sempre a procura

faz o mundo girar

.

chegarei na hora incerta

não se preocupe

essa vontade de ser

é sempre impulso

mola que movimenta

elástico no estilingue

e então voar

a casa ao lado

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as xícaras tem variadas formas

e combinam ou não

com pires e pratos

a toalha bordada

gastou de tanto uso

substituída por uma de plástico

não existem canetas de ouro

carrilhões ou porta-retratos

com sisudos e velhos barões

que aliás nunca existiram

 

de um jeito ou de outro

a vida descasca

do longe

traços

quando o silêncio transborda

ouço seus passos

sua voz chega

do longe do nunca mais

.

 

sua sombra

ainda se esconde

entre as plantas da varanda

às vezes me assusta

outras me entristece

último espetáculo

De um jeito ou outro iriamos nos revelar quando a cortina se abrisse desvendando a verdade e o engano. Poderia levar alguns anos mais, é verdade, sempre há formas de adiar. Fins são sempre doídos.
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Mas foi num dia qualquer, você agindo como sempre, não poderia supor, nem eu, já que fui a feira e comprei pimentões amarelos e vermelhos, tão mais caros que os verdes, só pra dar cor à nossa intimidade já um pouco pálida. É claro que me apercebi disso no depois de tudo.
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Ainda hoje não sei dizer se foram as cores vivas dos pimentões, o amarelo forte do açafrão no arroz, as cortinas da sala fechadas como numa peça que já terminou, o fato é que naquele jantar, apesar do vinho de guarda e das velas, tudo me pareceu prato feito que se come por pura obrigação.
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Em algum momento a chama da vela denunciou aquele lado ou sombra que você sempre esconde, o sorriso um tanto torto, o olhar que me deu medo. Quem seria você? E por que insistíamos nisso? Quem seria eu sem você?
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Caí em mim e soube também do seu tédio. Encenávamos há tanto aquela peça, as falas de sempre e de cor. Nem foi preciso muito esforço para desmontar o cenário e nos tirar de cartaz.

verde

de blusa verde
saio para o dia
de um azul claro e límpido
.
o discreto inverno tropical
inventa cores no céu
e desenha um lugar
quieto e pleno
entre cobertas
e descobertas