atenção

fuga

mae-marsh-in-the-sands-of-dee1912

(mae-marsh-in-the-sands-of-dee – 1912)

.

a moça que vê o mar
batendo na pedra batendo na pedra batendo
na pedra onde a moça se senta se senta
sessenta vezes por lágrima por dúvida por hora
o mar que vê a moça tão triste na pedra
e não sabe de onde vem o imenso desejo
de ficar junto a ela junto dela
e a moça suspira vendo o mar bater na pedra
bater na pedra bater tão duro na pedra
que aguenta a força do mar diário
a querer desfazê-la lapidá-la empurrar pra longe
a pedra que nem percebe a moça seu peso tão nada
tão feito de espera de espuma que o mar leva
quase a seus pés num esforço sobre mar de dizer
que a ama que a quer sem palavras só ondas
a bater na pedra bater na pedra
onde a moça se sente tão triste tão só
o mar a brigar com a pedra a bater com fúria
tentando erguer-se chegar a ela tocá-la
nem que seja por um instante uma onda
e ela sem suportar mais se deixa levar
escorregar pela pedra escorrer toda dor
apagar os dias virar mar virar

estar

ao ar livre

sem tempo a ganhar

ou perder

atravessar uma praça

caminhos possíveis

vários

sem mapas

pés tateando folhas

tocar o ar

cheirar o azul

música feita

de sons falas cheiros

.

seguir o vento

levando

sonhos a passeio

poliedro

o prático de mim avisa

cuidado pra não sucumbir

o sábio lembra

que só o tempo tece e destece

desfaz às vezes alguns laços

de forma tão abrupta

como cortar os pulsos

.

mas no pior momento

a face amiga

suplica que respire

levante a cada dia

faça pequenas caminhadas

por terrenos não movediços

e quando a dor beira o precipício

te dá a mão

e gentilmente te afasta dali

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