definitivo

noite ou dia – não mais
só um ponto
águas divididas
estreito rio

não há sol ou frio
nem expectativa
talvez alguma dor
de saber a um passo
e nunca mais

viagem

Não durma demais nessa hora
o tempo passa
o trem descarrilha
a morte enlaça

Não volte tarde
não vague madrugadas
o sono é sábio e sonha por você
a noite inteira

não acorde nem mate o monstro
que vigia a casa
mas tenha sempre perto da porta
a trivial bagagem
se a viagem for intempestiva e obrigatória

durma e descanse
pode ser a hora
pode ser que seja tempo
de virar a mesa mudar a rota
saltar às cegas para um novo mundo

recomeçar pode ser o fim
morrer pode ser depois
deixe sempre por perto
a velha carta dos sonhos
e o passaporte válido

óbvios

by Andrea Galluzzo (Asylum Art)

somos perigosos e dóceis

matamos por amor

e deixamos morrer por descuido

todos espertos experts idiotas

feridos por uma orfandade

que usamos como escudo

às vezes como espada

.

somos absolutamente óbvios

embora nos enganemos a toda hora

talvez um dia a gente encare

a outra face antes da morte

e diante dela qualquer explicação

será supérflua