romance

longe e tão perto

jogos de memória

e de espelho

dias entrando noites

abraços misturando sonhos

fechar os olhos

e por instantes chegar

em seguida saber

o ponto equidistante

em nós

abrir os olhos

virar a página

gota num oceano

Quando a vela baixou

Só restou o casco

Em sua nudez frágil

 

Diante do mar imenso

Não havia nada

Que pudesse fazer crer

Que nele houvesse vida

 

 

A morte, com certeza,

Habita a vida e a vigia

Mas aquele barco mais parecia

Um menino perdido

À  deriva de si mesmo

Como um verso

Na vastidão de um romance