encontro adiado

Te encontrarei depois

Do ontem que levou

Muitos abraços e sorrisos

Te encontrarei no antes

De um amanhã que talvez chegue

Quase livre de tantos mortos

Quase esquecido dessa sombra

Que tomou os dias as horas

Essa epidemia quase uma ficção

Se não fosse real

Com seus caixões

Não cheios de pedra

Como dizem os boçais

Mas cheios de sonhos partidos

Amores sustados

E um cortejo de órfãos

Órfãos de pais e de filhos

De um país que caminha

Frio e pretensioso

Para o abismo

.

Te encontrarei em algum bar

Noite ou fim de semana

Passearemos em algum parque

Praia ou montanha

Sem dizer nada

Que é a conversa possível

No antes do depois

3 comentários sobre “encontro adiado

  1. Poesia que me diz, que abre meus olhos, que me faz gritar, que por alguns instantes me tira desse vazio. Poemas como os de ontem, que existiram, isso eu sei, como foi sempre, embora sempre não exista.

  2. O sempre, o nunca e o longe não existem, é vero.
    Mas compartilhar (ou não querer) silêncios – ou contemplações, carece de sinais.
    Perigosas são as palavras que combinam, e não se cumprem, por conta de nervoso, timedez ou ansiedade. Que valham as desculpas, porque um café combinado será sempre cobrado.
    E atravessamos o tempo, colecionando amanheceres e anoiteceres, sem nos dar conta de que a vida é um sopro.

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