Como semear leituras ?

Tirei estas fotos no interior de Portugal.

Era uma cidade qualquer num lugar aleatório,

poderia ter sido apenas uma cidade bonita numa  foto,

mas lá estava este furgão,

com uma proposta de encantar corações.

Semeando leituras. Sonho ? Realidade ?

Não parei para perguntar, para saber mais.

Estava só de passagem, voltando para Lisboa

e depois ao Brasil.

Trouxe de lá esta foto-semente,

este desejo.

Balada para un loco (Aline)

Balada para un loco

Tomo esse vinho
Sozinho
Um segundo de descontração
Na vitrola aquele mestre do tango
Me dá uma vontade, um t…

É o Piazzolla
Se você estivesse aqui, você me diria
Então, com sorriso esboçado
Balançaria a cabeça
E me chamaria para dançar

Mas não está
Eu, cansado, você,
Um ser quase inventado
Que no meu quarto
É desejado pelo colchão

Procuro-te por toda parte
E parte meu coração
Tê-lo somente ao final da garrafa
A música acaba
Não há mais ninguém no salão

o espelho através de alice

 

Qual o nosso verdadeiro tamanho?

Alice me sussurra não saber

Quando o mundo parece engolir nosso corpo

Haverá um cogumelo a me fazer crescer?

Se a realidade se traveste em sonho

E se no sonho sinto o beliscar

Como saber se durmo?

Como fazer para acordar?

Mal caminhei e me sinto cansada

Se não sei para onde estou indo,

E o relógio me julga a todo tempo atrasada

Qualquer lugar já me parece um bom destino

E só me importa o chegar…´

É uma menina que habita meu corpo que envelhece

Ontem tomei um chá de certeza

E ele amanheceu turvo em cima da mesa

Acho que estou louca: acontece.

Minha mente vem digerir minha sede por novidade

A minha cabeça está posta a prêmio

Até eu resolver a grande charada:

Afinal, quem sou eu?

A resposta brinca de gato e rato

O rato está atrás do gato

e eu nem sei por onde começar

(Quanto mais eu procuro, mais ela se esconde de mim)

“Comece pelo começo, siga até o fim, e então pare”

geometrias (vania)

horizontal, vertical, assimétrico

ao fundo o horizonte em traço reto e sutil

a frente os imponentes verticais coqueiros

entre formas tão claras e precisas

um homem e suas assimetrias

Speeding Limit (cacá)

Como a Vânia é ocupada demais para fazer o primeiro post, eu, Cacá vou postar aqui algo de minha autoria para a inauguração.

Speeding Limit

I had a hole future up ahead, but I lost the last exit, now I’m just driving. Driving, heading to nowhere, no place to go, no place to come back to. I lost my home, I lost my dreams. Now, it’s me and the unknown road. It’s raining. But I don’t care anymore, it’s me and nothing. I can’t feel a thing beside this emptiness. Me and the dark … unknown road.

I turn off the lights.

I close my eyes.

Waiting for the next curve, that I won’t see.

It’s dark and silent.

Please come now my last curve.

Cacá Osório

estrada-chuvosa1

Para aqueles que não entendem inglês, aqui vai a tradução.

Eu tinha todo um futuro à minha frente, mas perdi a última saída, agora apenas dirijo. Dirigindo, indo para o nada, nenhum lugar para ir, nenhum lugar para voltar. Perdi minha casa, perdi meus sonhos. Agora, sou eu e a estrada desconhecida. Está chovendo. Mas eu não me importo mais, sou eu e nada. Eu não sinto nada além deste vazio. Eu e a desconhecida e escura estrada.

Desligo os faróis.

Fecho os olhos.

Esperando pela próxima curva, que não verei.

Está escuro e silencioso.

Por favor, venha agora, minha última curva.

Cacá Osório

estrada-chuvosa