Balada para un loco (Aline)

Balada para un loco

Tomo esse vinho
Sozinho
Um segundo de descontração
Na vitrola aquele mestre do tango
Me dá uma vontade, um t…

É o Piazzolla
Se você estivesse aqui, você me diria
Então, com sorriso esboçado
Balançaria a cabeça
E me chamaria para dançar

Mas não está
Eu, cansado, você,
Um ser quase inventado
Que no meu quarto
É desejado pelo colchão

Procuro-te por toda parte
E parte meu coração
Tê-lo somente ao final da garrafa
A música acaba
Não há mais ninguém no salão

o espelho através de alice

 

Qual o nosso verdadeiro tamanho?

Alice me sussurra não saber

Quando o mundo parece engolir nosso corpo

Haverá um cogumelo a me fazer crescer?

Se a realidade se traveste em sonho

E se no sonho sinto o beliscar

Como saber se durmo?

Como fazer para acordar?

Mal caminhei e me sinto cansada

Se não sei para onde estou indo,

E o relógio me julga a todo tempo atrasada

Qualquer lugar já me parece um bom destino

E só me importa o chegar…´

É uma menina que habita meu corpo que envelhece

Ontem tomei um chá de certeza

E ele amanheceu turvo em cima da mesa

Acho que estou louca: acontece.

Minha mente vem digerir minha sede por novidade

A minha cabeça está posta a prêmio

Até eu resolver a grande charada:

Afinal, quem sou eu?

A resposta brinca de gato e rato

O rato está atrás do gato

e eu nem sei por onde começar

(Quanto mais eu procuro, mais ela se esconde de mim)

“Comece pelo começo, siga até o fim, e então pare”

geometrias (vania)

horizontal, vertical, assimétrico

ao fundo o horizonte em traço reto e sutil

a frente os imponentes verticais coqueiros

entre formas tão claras e precisas

um homem e suas assimetrias

Speeding Limit (cacá)

Como a Vânia é ocupada demais para fazer o primeiro post, eu, Cacá vou postar aqui algo de minha autoria para a inauguração.

Speeding Limit

I had a hole future up ahead, but I lost the last exit, now I’m just driving. Driving, heading to nowhere, no place to go, no place to come back to. I lost my home, I lost my dreams. Now, it’s me and the unknown road. It’s raining. But I don’t care anymore, it’s me and nothing. I can’t feel a thing beside this emptiness. Me and the dark … unknown road.

I turn off the lights.

I close my eyes.

Waiting for the next curve, that I won’t see.

It’s dark and silent.

Please come now my last curve.

Cacá Osório

estrada-chuvosa1

Para aqueles que não entendem inglês, aqui vai a tradução.

Eu tinha todo um futuro à minha frente, mas perdi a última saída, agora apenas dirijo. Dirigindo, indo para o nada, nenhum lugar para ir, nenhum lugar para voltar. Perdi minha casa, perdi meus sonhos. Agora, sou eu e a estrada desconhecida. Está chovendo. Mas eu não me importo mais, sou eu e nada. Eu não sinto nada além deste vazio. Eu e a desconhecida e escura estrada.

Desligo os faróis.

Fecho os olhos.

Esperando pela próxima curva, que não verei.

Está escuro e silencioso.

Por favor, venha agora, minha última curva.

Cacá Osório

estrada-chuvosa