tela

a brisa esbarra na tela contra mosquitos e se afasta

adentro a noite quente e sem insetos

medito para ganhar tempo

recordo o céu colado no teto

 

invejo a brisa que pode te tocar

ou será que seu corpo tem tela

fecha a janela e liga o ar condicionado?

 

as paredes suam o velho assoalho reclama

respiro fundo como aprendi num certo treinamento

pra evitar cansaço calor medo

 

o medo é uma substância à deriva

vem e vai sem aviso ou motivo

em breve o amanhecer avisará que é hora

e tudo será mais distante daquele ponto

 

para isso me apronto

pinto de azul o fundo dos meus olhos

e tento explicar o infinito

pé no chão

caminho ao seu lado

pés descalços em terra batida

o céu cinza em vésperas de noite

o silêncio pondo em relevo

nossa respiração

 

sabemos que dias assim são presentes

que o universo nos dá

nossas mãos entrelaçadas

trocam calor dados impressões

 

por que não nos vimos antes ?

quase pergunto

mas prefiro sorrir

deixar a noite chegar

sem certezas ou dúvidas