ao fundo o horizonte em traço reto e sutil
a frente os imponentes verticais coqueiros
entre formas tão claras e precisas
um homem e suas assimetrias
Sem dizer adeus
Como quem foge
Ou como quem fecha porta e janelas
Por hábito, mas pela última vez
Partir, sem deixar marcas
Sequer fotos
Como se tivesse durante todo o tempo
Caminhado sobre areia fina
Nenhuma bagagem de mão
Na mala grande de rodinhas
Apenas a esperança
De um outro dia.
Me leva outra vez àquela curva
onde posso sentir o orvalho e entrever o caminho.
Sei que muitos pássaros preparam-se para deixar os ninhos,
que esta é uma hora mágica (também já tive a minha, e fui)
Num piscar de olhos o dia começará a jogar luz sobre a paisagem
Como uma criança me escondo, espreitando.
Ainda está escuro, não consigo ficar parada.
Lentamente os pés tateiam o piso incerto da noite,
mas em algum lugar desta curva
esconde-se o dia.
Ele saltará sobre nós em segundos
tomará a noite de assalto
e a vida de surpresa.