Autor: rapadura carioca
Festival Literário de São João del Rey




O 4o. Festival de Literatura de São João del Rey, acontecerá entre os dias 26 e 28 de novembro. A homenageada é Ana Maria Machado. Para saber a programação visite o site da Felit ou o blog estilingues.wordpress.com
Três autores do projeto Estilingues, Alexandre Brandão, Sônia Peçanha e Vânia Osório, darão oficina no dia 27.
es quinas (vania)
não sei se quem me fascina me domina
ou se quem me matará um dia
foi por quem me apaixonei
e para quem disse, por pura tolice,
que fizesse de mim o que quisesse
agora escrevo com uma caligrafia que não reconheço
como o sorriso, quase um arremedo
me sinto embriagada de mim mesma
não é a lucidez a filha pródiga da loucura ?
ou será o contrário ?
escrevo porque de fato preciso
é minha mão destra e possessiva
que me toma a vida e transmuta em palavras
minha luta diária para ser comum
me faz precisar dela, como dependente química
não posso não escrever
caminho todas as noites
por minhas próprias ruas insólitas e escuras
é inevitável, quase inexorável sina
e só não me afogo em mim
porque transbordo nesses versos
sem rimas, sem tábuas de salvação
cheios de quinas
e esquinas
nossa praia
Tomo emprestado do céu o azul
da areia as marcas
das águas o ritmo
e o abraço mais íntimo
tento resgatar em você
faço versos de verão
debruço sobre o horizonte
meu olhar sem certezas
e afino meus sonhos em outro diapasão
pego letras do teu e do meu nome
conjugando uma possibilidade de encontro
tateio teu corpo em busca de mim
ou de um lugar, um ninho
as águas nos arrastam
misterioso duo, dúbio, desigual
sorrio, faço poemas invertebrados e livres
e me deixo levar
Balada para un loco (Aline)
Balada para un loco
Tomo esse vinho
Sozinho
Um segundo de descontração
Na vitrola aquele mestre do tango
Me dá uma vontade, um t…
É o Piazzolla
Se você estivesse aqui, você me diria
Então, com sorriso esboçado
Balançaria a cabeça
E me chamaria para dançar
Mas não está
Eu, cansado, você,
Um ser quase inventado
Que no meu quarto
É desejado pelo colchão
Procuro-te por toda parte
E parte meu coração
Tê-lo somente ao final da garrafa
A música acaba
Não há mais ninguém no salão
caminhos de ferro (vania)
Até onde vai a dor ?
Até onde chega o medo ?
E quando chega vem sozinho
Ou traz consigo o terror ?
Até onde vai o cisne
Se o lago é circular e sem saída ?
Até onde voce iria por uma causa,
uma certeza, um amor ?
Para que tantas interrogacões
Se a dúvida é a mola que nos move
Se a noite é o berço do verso
E os dias quase sempre um tédio ?
Onde fica tudo isto
quando tudo acaba ?
No vagão do ontem
Ou na estação do amanhã ?
o espelho através de alice
Qual o nosso verdadeiro tamanho?
Alice me sussurra não saber
Quando o mundo parece engolir nosso corpo
Haverá um cogumelo a me fazer crescer?
Se a realidade se traveste em sonho
E se no sonho sinto o beliscar
Como saber se durmo?
Como fazer para acordar?
Mal caminhei e me sinto cansada
Se não sei para onde estou indo,
E o relógio me julga a todo tempo atrasada
Qualquer lugar já me parece um bom destino
E só me importa o chegar…´
É uma menina que habita meu corpo que envelhece
Ontem tomei um chá de certeza
E ele amanheceu turvo em cima da mesa
Acho que estou louca: acontece.
Minha mente vem digerir minha sede por novidade
A minha cabeça está posta a prêmio
Até eu resolver a grande charada:
Afinal, quem sou eu?
A resposta brinca de gato e rato
O rato está atrás do gato
e eu nem sei por onde começar
(Quanto mais eu procuro, mais ela se esconde de mim)
“Comece pelo começo, siga até o fim, e então pare”
Amores Vagos
Não saber onde está
No meio da noite
Só a noite
O risco do poema
No asfalto molhado
Nenhuma pista
A madrugada avança
Há telas contra mosquitos
Veias que pulsam motivos
Idéias vagas, vazios
Esquinas e avenidas
Não saber por onde ir
De onde puxar o fio
Se não há endereços exatos
Ou amores oficiais
Só vagos


